Lígia Bojunga Teles

Lygia Bojunga Nunes (Pelotas RS 1932). Autora de literatura infantil e juvenil. Aos 8 anos muda-se com a família para o Rio de Janeiro. Em 1951, torna-se atriz da Companhia de Teatro Os Artistas Unidos, viajando pelo interior do Brasil. Preocupada com o alto índice de analfabetismo no país, funda uma escola para crianças carentes, a Toca, que dirige por cinco anos. Estréia em 1972, com o livro Os Colegas e, já em 1982, torna-se a primeira autora, fora do eixo Estados Unidos-Europa, a receber o Prêmio Hans Christian Andersen, uma das mais relevantes premiações concedida para o gênero infantil e juvenil. Funda, em 2002, a Casa Lygia Bojunga, exclusivamente para editar suas publicações. Pelo conjunto de sua obra, em 2004, ganha o Astrid Lindgren Memorial Award, prêmio criado pelo governo da Suécia, jamais antes outorgado a um autor de literatura infantil e juvenil. Sua produção literária caracteriza-se pela transgressão de fronteiras entre a fantasia e a realidade, e aborda questões sociais contemporâneas com lirismo e humor.

Consciente de que literatura é comunicação, a autora não recusa tratar de temas considerados problemáticos como suicídio, em 7 cartas e 2 sonhos (1983) e O meu amigo pintor (1987); assassinato, em Nós três (1987) e abandono dos filhos pela mãe, no conto Xau, no volume do mesmo nome (1985).


É um dos maiores nomes da literatura infanto-juvenil brasileira e mundial, assim consagrada pela qualidade de sua obra e caracterização da problemática da criança, acuada dentro do núcleo familiar.

Sua obra já foi publicada em alemão, francês, espanhol, sueco, norueguês, islandês, holandês, dinamarquês, japonês, catalão, húngaro, búlgaro e finlandês.
Casada com um inglês, vive parte de seu tempo em Londres e parte no Rio de Janeiro.
Obras:

*Os Colegas - 1972

*Angélica - 1975

*A Bolsa Amarela - 1976

*A Casa da Madrinha - 1978

*Corda Bamba - 1979

*O Sofá Estampado - 1980

*Tchau - 1984

*O Meu Amigo Pintor - 1987

*Nós Três - 1987

*Livro, um Encontro - 1988

*Fazendo Ana Paz - 1991

*Paisagem - 1992

*Seis Vezes Lucas - 1995

*O Abraço - 1995

*Feito à Mão - 1996

*A Cama - 1999

*O Rio e Eu - 1999

*Retratos de Carolina - 2002

*A Bolsa Amarela - 2005

*Aula de Inglês - 2006

*Sapato de Salto - 2006

*Dos Vinte 1 - 2007

A princesa e o Sapo

Recentemente A Disney lançou o filme A princesa e o sapo, de uma forma original, a primeira Princesa negra  da Disney "vira" princesa e liberta o príncipe da terrível maldição. Meus alunos adoraram quando passei o DVD na sessão de cinema na escola, ótima história. Coincidentemente, no outro dia , a professora Giselly levou para a turma um ótimo livro: Sapo que virou príncipe - Continuação, mostrando como a inferência é uma estratégia importante na atividade de leitura, trazendo referências de vários Contos de Fadas. 

O desafio é resgatar a história original do conto de fadas:

O PRÍNCIPE SAPO


Há muito tempo, quando os desejos funcionavam, vivia um rei que tinha filhas muito belas. A mais jovem era tão linda que o sol, que já viu muito, ficava atônito sempre que iluminava seu rosto.

Perto do castelo do rei havia um bosque grande e escuro no qual havia um lagoa sob uma velha árvore.

Quando o dia era quente, a princesinha ia ao bosque e se sentava junto à fonte. Quando se aborrecia, pegava sua bola de ouro, a jogava alto e recolhia. Essa bola era seu brinquedo favorito. Porém aconteceu que uma das vezes que a princesa jogou a bola, esta não caiu em sua mão, mas sim no solo, rodando e caindo direto na água.

A princesa viu como ia desaparecendo na lagoa, que era profunda, tanto que não se via o fundo. Então começou a chorar, mais e mais forte, e não se consolava e tanto se lamenta, que alguém lhe diz:

- Que te aflige princesa? Choras tanto que até as pedras sentiriam pena. Olhou o lugar de onde vinha a voz e viu um sapo colocando sua enorme e feia cabeça fora da água.

- Ah, és tu, sapo - disse - Estou chorando por minha bola de ouro que caiu na lagoa.

- Calma, não chores -, disse o sapo; Posso ajudar-te, porém, que me darás se te devolver a bola?

- O que quiseres, querido sapo - disse ela, - Minhas roupas, minhas pérolas, minhas jóias, a coroa de ouro que levo.

O sapo disse:

- Não me interessam tuas roupas, tuas pérolas nem tuas jóias, nem a coroa. Porém me prometes deixar-me ser teu companheiro e brincar contigo, sentar a teu lado na mesa, comer em teu pratinho de ouro, beber de teu copinho e dormir em tua cama; se me prometes isto eu descerei e trarei tua bola de ouro".

- Oh, sim- disse ela - Te prometo tudo o que quiseres, porém devolve minha bola; mas pensou- Fala como um tolo. Tudo o que faz é sentar-se na água com outros sapos e coachar. Não pode ser companheiro de um ser humano.

O sapo, uma vez recebida a promessa, meteu a cabeça na água e mergulhou. Pouco depois voltou nadando com a boa na boa, e a lançou na grama. A princesinha estava encantada de ver seu precioso brinquedo outra vez, colheu-a e saiu correndo com ela.

- Espera, espera - disse o sapo; Leva-me. Não posso correr tanto como tu - Mas de nada serviu coachar atrás dela tão forte quanto pôde. Ela não o escutou e correu para casa, esquecendo o pobre sapo, que se viu obrigado a voltar à lagoa outra vez.

No dia seguinte, quando ela sentou à mesa com o rei e toda a corte, estava comendo em seu pratinho de ouro e algo veio arrastando-se, splash, splish splash pela escada de mármore. Quando chegou ao alto, chamou à porta e gritou:

- Princesa, jovem princesa, abre a porta.

Ela correu para ver quem estava lá fora. Quando abriu a porta, o sapo sentou-se diante dela e a princesa bateu a porta. Com pressa, tornou a sentar, mas estava muito assustada. O rei se deu conta de que seu coração batia violentamente e disse:

- Minha filha, por que estás assustada? Há um gigante aí fora que te quer levar?

- Ah não, respondeu ela - não é um gigante, senão um sapo.

- O que quer o sapo de ti?

- Ah querido pai, estava jogando no bosque, junto à lagoa, quando minha bola de ouro caiu na água. Como gritei muito, o sapo a devolveu, e porque insistiu muito, prometi-lhe que seria meu companheiro, porém nunca pensei que seria capaz de sair da água.

Entretanto o sapo chamou à porta outra vez e gritou:

- Princesa, jovem princesa, abre a porta. Não lembras que me disseste na lagoa?

Então o rei disse:

- Aquilo que prometeste, deves cumprir. Deixa-o entrar.

Ela abriu a porta, o sapo saltou e a seguiu até sua cadeira. Sentou-se e gritou: - Sobe-me contigo.

Ela o ignorou até que o rei lhe ordenou. Uma vez que o sapo estava na cadeira, quis sentar na mesa. Quando subiu, disse:

- Aproxima teu pratinho de ouro porque devemos comer juntos.

Ela o vez, porém se via que não de boa vontade. O sapo aproveitou para comer, porém ela enjoava a cada bocado. Em seguida disse o sapo:

- Comi e estou satisfeito, mas estou cansado. Leva-me ao quarto, prepara tua caminha de seda e nós dois vamos dormir.

A princesa começou a chorar porque não gostava da idéia de que o sapo ia dormir na sua preciosa e limpa caminha. Porém o rei se aborreceu e disse:

- Não devias desprezar àquele que te ajudou quando tinhas problemas.

Assim, ela pegou o sapo com dois dedos, e a levou para cima e a deixou num canto. Porém, quando estava na cama o sapo se arrastou até ela e disse:

- Estou cansado, eu também quero dormir, sobe-me senão conto a teu pai.

A princesa ficou então muito aborrecida. Pegou o sapo e o jogou contra a parede.

- Cale-se, bicho odioso; disse ela.

Porém, quando caiu ao chão não era um sapo, e sim um príncipe com preciosos olhos. Por desejo de seu pai ele era seu companheiro e marido. Ele contou como havia sido encantado por uma bruxa malvada e que ninguém poderia livrá-lo do feitiço exceto ela. Também disse que no dia seguinte iriam todos juntos ao seu reino.

Se foram dormir e na manhã seguinte, quando o sol os despertou, chegou uma carruagem puxada por 8 cavalos brancos com plumas de avestruz na cabeça. Estavam enfeitados com correntes de ouro. Atrás estava o jovem escudeiro do rei, Enrique. Enrique havia sido tão desgraçado quando seu senhor foi convertido em sapo que colocou três faixas de ferro rodeando seu coração, para se acaso estalasse de pesar e tristeza.

A carruagem ia levar ao jovem rei a seu reino. Enrique os ajudou a entrar e subiu atrás de novo, cheio de alegria pela libertação, e quando já chegavam a fazer uma parte do caminho, o filho do rei escutou um ruído atrás de si como se algo tivesse quebrado. Assim, deu a volta e gritou:

- Enrique, o carro está se rompendo.

- Não amo, não é o carro. É uma faixa de meu coração, a coloquei por causa da minha grande dor quando eras sapo e prisioneiro do feitiço.

Duas vezes mais, enquanto estavam no caminho, algo fez ruído e cada vez o filho do rei pensou que o carro estava rompendo, porém eram apenas as faixas que estavam se desprendendo do coração de Enrique porque seu senhor estava livre e era feliz.

O Prazer de ler na escola II - Como pais e professores podem fazer da leitura uma atividade prazerosa?




  Imagine uma escola em que as crianças topam com um livro a toda a hora. Quando querem procurar algo para fazer, lá estão os exemplares, disponíveis. Se é hora de procurar informações, também estão eles lá, como opções. Para incentivar a escrita, contar histórias, eles são as estrelas. E aqui, estamos falando de literatura: uma história que faça o leitor viajar, encontrar com medos, ver suas dúvidas, dar muita risada, descobrir o mundo. E treinar muito, claro, sua capacidade de leitura, de entendimento, de prazer com o livro.



Leitura diária

Em muitas escolas, é comum a leitura diária de história, desde o primeiro ano de vida da criança. Lendo, discutindo trechos da história e chamando a atenção para as ilustrações, favorecemos aspectos fundamentais da leitura, como compreensão de texto, seqüência narrativa, personagens e espaço esmo as crianças já alfabetizadas devem ser expostas a leituras, que, neste caso podem ser compartilhadas em classe e acompanhadas de discussão do texto, dos elementos que o compõem e de análise do enredo.

Oportunidade de manuseio de livros

Para que as crianças adquiram intimidade com os livros, é importante terem oportunidades de tocá-los, sem a intervenção de adultos. Fica tudo no ritmo da criança.

Acervos diversificados

Os livros devem ser diferentes, adequados à idade dos alunos, constantemente atualizados e bem conservados. As visitas à biblioteca devem fazer parte da rotina das crianças e, no local, é importante haver um profissional capaz de orientar os alunos e estimular a leitura de obras adequadas.

Os livros deles

Para as crianças, a possibilidade de levarem para a escola seus livros preferidos é um grande estímulo. Muitas escolas incentivam a prática, lendo em sala os livros dos alunos. Isso fará com que eles com compartilhem com os amigos e, quem sabem, emprestem um para o outro.

Pais como parceiros

As escolas devem chamar os pais como aliados no estímulo à leitura. Podem ser indicações em conversas, via internet ou em reuniões. Ou colocar livros à disposição na escola e convidar os pais a conhecer o acervo.

Visita de autores

Encontros com autores são positivos para as crianças adquirirem maior intimidade com seus livros, histórias e personagens e perceberem que criar histórias é inclusive uma profissão. Mas a escolha precisa ser bem cuidada: de preferência, a escolha deve partir – ou pelo menos ser muito bem aprovada – pelas crianças. Nada de fazer as crianças conhecerem o autor indicado somente porque ele vai lá. O bacana é oferecer, ver o que agrada e contatar as editoras.

Professores leitores e atualizados

Para atuar na formação de novos leitores, ninguém melhor do que professores leitores.

Leituras obrigatórias

As leituras obrigatórias parecem ser um recurso inevitável, já que as crianças precisam vivenciar determinadas experiências literárias ao longo da vida escolar. A escola deve procurar, no entanto, fazer dessas leituras algo prazeroso para a criança. A leitura obrigatória pode ser um bom instrumento pedagógico, permitindo que as crianças apresentem seus pontos de vista, diferentes interpretações e opiniões.  Quando for hora de apresentar os clássicos da literatura brasileira e mundial, o empenho em “conquistar” este novo leitor deve continuar.


Nada de mensagens obrigatórias

Livro não tem uma única interpretação, uma mensagem absoluta, muito menos obrigatória de a criança encontrar, ler nas entrelinhas. “Mais do que apreender o conteúdo de uma história, um poema ou uma ilustração, a criança deve se apropriar das estratégias de aproximação com os textos e com a literatura”, diz Peter O’ Sagae, leitor crítico e editor do site Dobras da Leitura.

Fonte: Revista Crescer

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A escola e o prazer de ler, um encontro possível?

Quando pensamos em Leitura prazerosa, imediatamente relacionamos com a leitura em casa, numa poltrona, num momento de relaxamento, pensamos num livro que gostamos, ou um que queremos muito ler. pensamos no silêncio de uma biblioteca, no suspense , na curiosidade de descobrir o que vai acontecer no fim, na leitura sem tempo definido, por horas a fio, no jardim, na praia, numa viagem, na hora de dormir, ou quando nem conseguimos dormir até ler aquele capíttulo. e mais aquele, e mais aquele até o fim!!!

Mas, por que não associamos a leitura prazeroza à prática de leitura na escola?

A leitura na sala de aula costuma vir carregada de obrigações e conteúdo, nunca com a leitura pela leitura. Ao invés de despertar o prazer pela leitura, desperta o terror que é ler um livro por obrigação

Somos totalmente a favor da leitura em sala de aula, em biblioteca, sentada na calçada, no pátio, em qualquer lugar! O momento da leitura é um momento especial, acalma, relaxa... É um momento da afetividade, de aproximação, de magia! Uma oportunidade que o professor pode criar não só para ensinar seus alunos a ouvir como também para escutá-los. E é importante que o professor seja um leitor apaixonado, para transmitir essa paixão  aos alunos.

 Vamos agora fazer outro exercício. Tente pensar na leitura que você faz ou fazia na escola. O que você lembra?

Nós lembramos de:

"Vamos aproveitar esse tempinho (10 minutos) antes de acabar a aula para ler um livro. há que pena !!! a aula acabou,amanhã eu termino..."

"Agora é a hora da leitura, vocês têm meia hora ara escolher, ler o livro e escrever uma redação sobre o que o livro aborda!"

"Eu vou distribuir os livros para não haver briga!" (Eu nunca pegava o que eu queria :( )

 "Não, eu não vou dar o livro novo, vocês podem rasgar, deixa que eu conto a história."

"Leiam o livro e repondam essas dez questões de interpretação de texto."


Na sala de leitura:

"Todo mundo senta que eu vou escolher o livro para cada um! "

"Não esse livro não é para a sua idade, toma esse aqui!"

" Menina larga esse gibi, escolha um livro de verdade. "

"Toda vez que a gente vem você escolhe o mesmo livro , me dá,  leia esse aqui que é muito bom também! "

No ensino médio:

"Vocês têm que ler para a prova:  Marília de Dirceu e cartas chilenas, A moreninha, Lucíola, Senhora, Dom Casmurro e os Sertões,  afinal vocês têm que estar preparados ara o vestibular!!! " =O


 A gente não quer dizer que todas as experiências de leitura na escola são/foram ruins, Existem muita experiências que deram certo e continuam dando no que se refere a valorizar o gosto e o prazer de ler, mas, no próximo post a gente conta!