"Os livros Ensinam a ler..." Tereza colomé

Os livros como mestres
A formação do Leitor Literário

Para Tereza Colomé ler se aprende lendo, e o professor pode estimular esse aprendizado entendo que há diversas estratégias de leitura e compreendendo que a criação do prazer de ler na criança é primordial nesse aprendizado.

Segundo a autora, existem 4 eixos de leitura que podem ser trabalhados na escola:

1º - Leitura Livre :  Colomé advoga a prática de pelo menos 20 minutos de leitura livre e silenciosa por cada aluno, para isso é fundamental a Blibioteca de Sala.

2º - Leitura Socializada : Comunidade de leitores escritores, trata-se de compartilhar informações e sentimentos acerca da leitura realizada. Pode ser feita na tradicional roda de conversas, em pequenos grupos e até por meio de fóruns na internet.

3º - Leitura com objetivo de aprender sobre a língua : A leitura é fundamenta para a aquisição da escrita, por meio de projetos, a criança vai produzir poesias, após ler poesias, contos, após ler contos e socializar depois.

4º - Leitura para aprender a ler Literatura - Leitura com o objetivo de despertar o prazer de ler por ler, sem obrigações.

A autora atenta também para a mudança no perfil do leitor do século XXI, atual no sentido de prezar por novos valores, viver numa nova sociedade, alfabetizada e centrada na língua. Esse leitor atual exige uma literatura atual que traga novos temas, novos cenários, personagens diferentes , novos tipos de final, podemos observar esse movimento, em livros infantis que tratam de questões como divórcio, racismo, com protagonistas ousados e finais que surpreendem o leitor. Pode-se observar  também um predomínio por histórias fantasiosas, do humor, do jogo literário, da narrativa psicológica  e rupturas de tabus temáticos. O leitor do século atual está acostumado com novas mídias e recursos literários modernos, que desafiam o imaginário dos escritores e ilustradores.

Dica :


Criança nenhuma gosta de ficar de castigo - mas ninguém poderia imaginar um castigo tão duro quanto o de Richard - o garoto é deixado pelo pai na beira da estrada só porque bagunçava no banco de trás do carro. Sozinho, ele percebeu que o lugar não era tão ruim - havia árvores, um riacho e uma lanchonete. Quando a família voltou para buscá-lo, Richard estava decidido a ficar ali. Jules Feiffer une texto e imagens para narrar um acontecimento que faz repensar o relacionamento entre pais e filhos, adultos e crianças.

Livros álbum

Nos livros álbuns as imagens têm uma função que vai além da decoração da página e do livro, a imagem ajuda a construir o sentido do texto,e as vezes cria uma narrativa paralela à história do texto escrito.São livros que juntam palavras e imagens para contar uma história. Daqueles que provocam no leitor largos caminhos e mapas de exploração e assim tornam mais profundo o verbo ler. 
Os livros-álbum destinam-se a muitas idades. Junto das crianças que ainda não aprenderam as letras, permitem antecipar os mecanismos inerentes à leitura.

São recursos dos slivros álbuns:
  • Delega às imagens a descrição dos personagens e dos ambientes
  • Introduz uma história dentro da outra
  • Permite quebrar a linearidade do discurso
  • Introduz jogos de ambiguidade entre a realidade e a ficção
  • Inclui alusões literárias (intertextuais) e culturas 
 Analisamos na aula um livro álbum muito interessante :


Por meio da análise da tipografia, da função das cores, sombras, detalhes minunciosos que revelaram um mundo de sentimentos, emoções e significados que seriam impossíveis de relatar por meio do texto ou de descobrirmos sem as imagens. Um ótimo exemplo de articulação entre a imagem e o texto, praticamente uma narrativa psicológica contada por meio de imagens e elementos da cultura. Uma obra prima!!



Outros livros álbum:
A história da solitária cor que procurava o seu lugar no mundo, foi a primogênita de Ziraldo e um dos livros álbuns pioneiros no Brasil.



No livro 'Não Vou Dormir,' a linguagem visual, predominante na história desencadeia uma potencialidade de sentidos que, em harmonia com o texto de Christiane Gribel, desperta a atenção da criança para os recursos expressivos tanto da linguagem verbal como da linguagem não-verbal.





Esta é uma divertida fábula sobre a esperteza dos pequenos contra a força dos gigantes. O ratinho que protagoniza as cenas tenta esconder um morango maduro de um grande urso que, aliás, não aparece na história. Um interlocutor oculto, mais esperto ainda que o rato (e com o qual a criança se identifica), é quem vai narrando a história, ao mesmo tempo que convence o ratinho a dividir o morango com ele.

Outros poetas como Sérgio Caparelli, Roseana Murray e Elias José profissionalizaram-se no gênero, escrevendo exclusivamente para crianças. A partir dos anos 80, a poesia passou a priorizar a apreciação infantil. Poemas para Brincar, de José Paulo Paes mostra bem a conexão entre o brincar e o escrever, formulando o ângulo lúdico presente nos poemas infantis. A valorização do lúdico da linguagem propiciou a expansão da poesia para crianças, introduzindo a diversão, o jogo, a brincadeira e a criança como personagem e narrador.

C O N V I T E

Poesia é... brincar com as palavras
como se brinca com bola,
papagaio, pião.
Só que bola, papagaio, pião
de tanto brincar se gastam.
As palavras não:
Quanto mais se brinca com elas,
mais novas ficam.
Como a água do rio
que é água sempre nova.
Como cada dia que é sempre um novo dia.
Vamos brincar de poesia?
(José Paulo Paes)

FADAS E BRUXAS

Metade de mim é fada,
a outra metade é bruxa.
Uma escreve com sol,
a outra escreve com a lua.
Uma anda pelas ruas
cantarolando baixinho,
a outra caminha de noite
dando de comer à sua sombra.
Uma é séria, a outra sorrí;
uma voa, a outra é pesada.
Uma sonha dormindo,
a outra sonha acordada.

Roseana Murray in Pêra, Uva ou Maçã, ed. Scipione, 2005

Linha do Tempo: Poesia infanto juvenil - I

A Poesia na literatura Infanto Juvenil Brasileira sempre teve expoentes importantes, sendo Olavo Bilac um de seus precursores no início do século XX. No entanto sua poesia apresentava a estética parnasiana, que não agradava às crianças. além de sempre trazer uma lição, uma moral, como podemos ver no poema abaixo:

A borboleta


Trazendo uma borboleta,
Volta Alfredo para casa.
Como é linda! é toda preta,
Com listas douradas na asa.

Tonta, nas mãos da criança,
Batendo as asas, num susto,
Quer fuguir, porfia, cansa,
E treme, e respira a custo.

Contente, o menino grita:
"É a primeira que apanho,
"Mamãe! vê como é bonita!
"Que cores e que tamanho!

"Como voava no mato!
"Vou sem demora pregá-la
"Por baixo do meu retrato,
"Numa parede da sala".

Mas a mamãe, com carinho,
Lhe diz: "Que mal te fazia,
"Meu filho, esse animalzinho,
"Que livre e alegre vivia?

"Solta essa pobre coitada!
"Larga-lhe as asas, Alfredo!
"Vê com treme assustada . . .
"Vê como treme de medo . . .

"Para sem pena espetá-la
"Numa parede, menino,
"É necessário matá-la:
"Queres ser um assassino?"

Pensa Alfredo . . . E, de repente,
Solta a borboleta . . . E ela
Abre as asas livremente,
E foge pela janela.

"Assim, meu filho! perdeste
"A borboleta dourada,
"Porém na estima cresceste
"De tua mãe adorada . . .

"Que cada um cumpra sua sorte
"Das mãos de Deus recebida:
"Pois só pode dar a Morte
"Aquele que dá a Vida!"
  
A partir da década de vinte, o gênero poético dedicado as crianças floresceu,  coincidentemente, quando a criação artística adotaram parâmetros mais livres e libertários, como podemos notar no poema de Henriqueta Lisboa, Consciência: 


Fazer pecado é feio.
Não quero fazer pecado, juro.
Mas se eu quiser, eu faço.










Na Geração de 30, representada por Vinícius de Morais, Cecília Meireles, Mário Quintana, josé Paulo Paes e Manoel de Barros, quase todos se dedicaram ao público infantil, escrevendo poemas e livros para crianças:

O Pato Vinícius de Moraes/Toquinho
Lá vem o Pato
Pata aqui, pata acolá
La vem o Pato
Para ver o que é que há.

O Pato pateta
Pintou o caneco
Surrou a galinha
Bateu no marreco
Pulou do poleiro
No pé do cavalo
Levou um coice
Criou um galo
Comeu um pedaço
De jenipapo
Ficou engasgado
Com dor no papo
Caiu no poço
Quebrou a tigela
Tantas fez o moço
Que foi pra panela.



Ou isto ou aquilo
Cecília Meireles

Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa estar
ao mesmo tempo nos dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo, ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinque, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Canção da garoa
Mário Quintana
Em cima do telhado
Pirulin lulin lulin,
Um anjo, todo molhado,
Soluça no seu flautim.
O relógio vai bater:
As molas rangem sem fim.
O retrato na parede
Fica olhando para mim.
E chove sem saber porquê
E tudo foi sempre assim!
Parece que vou sofrer:
Pirulin lulin lulin...


Manoel de Barros
 Seis ou Treze Coisas que Aprendi Sozinho
1
Gravata de urubu não tem cor.
Fincando na sombra um prego ermo, ele nasce.
Luar em cima de casa exorta cachorro.
Em perna de mosca salobra as águas se cristalizam.
Besouros não ocupam asas para andar sobre fezes.
Poeta é um ente que lambe as palavras e depois se alucina.
No osso da fala dos loucos têm lírios. (...)



 

Roda de contos na sala de aula...

A professora Giselly propôs uma atividade muito legal, uma roda de contos com histórias pesquisadas por nós para uma roda de contação, surgiram muitas histórias, algumas divertidas,outras de terror, mas o mais importante foi o caráter lúdico que a atividade nos proporcionou, quando voltamos a ser criança ouvindo histórias da vó, da mamãe.... E para fechar o post, um conto genuinamente maceioense:

A mulher da capa preta




Carolinna Sampaio Marques - A Mulher da Capa Preta



Essa história já foi notícia no jornal, tem bloco de carnaval com o nome mulher-da-capa-preta. ,Existe inclusive uma capa de cimento estendida em seu túmelo no Cemitério de Nossa Senhora da Piedade, em Maceió.

Um jovem estava se divertindo em uma boite quando conheceu uma moça muito bonita que dançou com ele e lhe deu um beijo. Quando foi levá-la em casa, estava chovendo muito, e ele percebeu que ela estava muito gelada e lhe emprestou a sua capa preta de motoqueiro pra ela se aquecer. Acontece que ela insistiu em não ficar na porta de casa e ele acabou deixando ela perto de um cemitério. Antes de ir embora ela escreveu o endereço pra ele ir buscar a capa. No dia seguinte ele bateu na porta do endereço dado e uma mulher atendeu. Ele contou o ocorrido, mas quando falou no nome Carolina, a mulher foi grossa com ele e disse que a brincadeira era de extremo mau gosto pois sua filha havia morrido já há algum tempo. Diante da insistência dele, ela pediu pra ele descrevê-la, e se surpreendeu quando as características dadas batiam certinho com a foto que ela mostrou na parede (com flores ao lado) da filha morta. Ele não acreditou, então ela o levou pessoalmente ao túmulo da filha, onde estava a sua capa estendida e o nome Carolinna Sampaio Marques com datas em algarismo romano e uma foto da moça.





Eu sou a famosa Carolina ,

Com jeito de menina ,

Eu morri há dez anos atrás ...

Mas , até hoje corro atrás ...

De um inocente rapaz ...

Toda a sexta – feira ...

Em plena lua cheia ...

Eu invado uma festa especial ...

De um jeito fenomenal !

Depois , finjo ser uma viva mulher ...

E bailo com um rapaz qualquer !

No final da festa , este moço belo ...

Acompanha-me até o meu castelo !

Porém , no meio desta viagem ,

Repleta de uma obscura paisagem ,

Ele me oferece a sua capa preta ...

Para me proteger do frio xereta !

Então , eu entro na minha casa ...

Com a capa preta na minha asa !

No dia seguinte , ele vem na lata ,

Buscar a sua preciosa e quente capa !

Assim , ele descobre que eu morri há dez anos atrás ...

E para se sentir seguro em paz ...

E desvendar este mistério ...


Ele vai ao cemitério ...

E vê que a sua capa preta ...

Não está na sarjeta !

Pois , ela está no meu túmulo branco ,

Intacta de um jeito franco !

Eu sou a Carolina ,


Com jeito de menina ,


Eu morri há dez anos atrás ...

Mas , até hoje corro atrás ..

De um inocente rapaz ...

Toda a sexta – feira ...
Em plena lua cheia ...

Eu invado uma festa especial ...

De um jeito fenomenal .

 



Túmulo de Carolina Sampaio Marques, a  mulher da Capa preta
Cemitério da Piedade, no Trapiche da Barra,Maceió.

Resenha Literária - Pedro Bandeira


A literatura infantil faz parte do cotidiano das crianças, sendo um dos principais eixos do contexto escolar. Portanto, é importante ter que os professores conheçam um repertorio variado de historias infantis, assim como os respectivos autores.
            Entre tantos autores literários infanto-juvenil brasileiros, um dos que se destaca é Pedro Bandeira de Luna Filho nasceu na cidade de Santos, em São Paulo, no dia 09 de março de 1967. Bandeira fez parte de vários trabalhos iniciando como interprete, encenador e cenógrafo no teatro amador e de bonecos.
            Em 1961 ele foi para São Paulo com objetivo de cursar Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, a USP. Nesta mesma época casou-se e teve três filhos.
Sua vivencia na área de comunicação (jornalismo e na publicidade) no ano de 1962, passou a escrever para todos os públicos trabalhando na Editora Abril. Depois passou a se dedicar a um publico alvo as crianças e jovens, escrevendo vários livros infantis, procurando enfatizar personagens considerados “maus” e nas historias são “bonzinhos”, em sua coleção chamada “Meus malvados favoritos”. Entre esta coleção destacou o livro chamado “O pequeno dragão” escrito por Pedro Bandeira e Carlos Edgard Herrero.
Este livro chama muita atenção das começando pelas ilustrações sobre a casa dos dragões e a escola que eles freqüentam. Como tradição, todos devem ir à escola e precisam de critérios para passar de ano, o pequeno dragão precisava assustar as crianças, no entanto ele era diferente de todos, pois não gostava de assustar e não cospe fogo, então tomaram uma atitude pois ele não se enquadrava com a turma. O pequeno dragão foi viver a sua vida de uma maneira diferente.
Enfim, o livro apresenta uma ótima historia diferente das comuns, procurando chamar atenção das crianças. Portanto, este livro é uma boa indicação para os educadores para incluí-lo no universo da Literatura Infantil.