Marina , Carlos Ruiz Zafón


Fevereiro 2012
Nome Próprio (de pessoas) – existem personagens cujo imenso carisma ganha logo destaque na capa de um livro.  E a regra do mês é essa: só vale livros cujo título seja um nome próprio - e apenas ele -, exemplo: Quincas Borba, Benjamin, Emma. Vai ser divertido e muito fácil caçar títulos do tipo; seja na estante de casa, de uma livraria ou de uma biblioteca.  ATENÇÃO: apenas nome próprio de pessoas!

Resenha
                                                        

“Todos temos um segredo trancado a sete chaves no sótão da alma. Este é o meu.”
O livro é narrado em primeira pessoa pelo personagem Oscar Drai, que a partir de uma visita ao seu passado na Espanha no fim da década de 70, relata sua história, vivida ao lado de Marina.
Óscar é um menino de 15 anos que vive em um internato e tem pouco contato com sua família. Seu maior prazer consiste em passear nos arredores do internato, após as aulas, quando os internos tinham pelo menos três horas livres antes do jantar. Em um desses passeios, enquanto explorava a região repleta de mansões e casarões abandonados o garoto encontra um gato que aparentava pelo seu pelo lustroso e pelo guiso no pescoço, ter um dono, seguindo o animal, chegou ao portão de um dos casarões abandonados, que para sua surpresa se encontrava aberto. Ao adentrar na mansão Oscar identificou a voz de uma mulher cantando em um gramofone e encontrou um relógio, ao examiná-lo á luz de velas, surpreendeu-se com uma silhueta que levantou-se da poltrona e veio em sua direção, com o susto o menino correu em direção a saída sem perceber que ainda segurava o relógio. Ao voltar ao internato, o sentimento de remorso o corroeu e ele então decidiu retornar para devolver o relógio, ao lugar de onde tinha tirado, sentia-se um “ladrão de lembranças”.
Nesse momento, o garoto conhece Marina, que tinha aparentemente a mesma idade que ele e morava na casa junto com seu pai Gérman, dono do relógio. E é a amizade com esses personagens que leva o menino a desvendar dois mistérios, um, o sentimento pela menina que se tornou sua companheira inseparável, e o segundo, a sombria história de Mijail Kolvenik.
Gostei do livro, de certa forma a história me prendeu e adorei o foco descritivo dado pelo autor, principalmente na primeira parte, que foca a relação construída entre Óscar, Gérman e Marina. Gostei muito do trio, Marina é sem dúvida uma garota inteligente e atraente, realmente envolvente, e Gérman, um homem que sofreu muitas perdas e parece viver no passado. Um cavalheiro do século XIX, em modos, atitudes e gostos.
Na segunda parte, foca-se o mistério que envolve a vida de Mijail Kolvenik, no qual os meninos se envolvem mais do que o desejável. É uma história tão sinistra, grotesca e fantasiosa que, parece não combinar com o resto da história. O livro é classificado como literatura juvenil, e isso explica de certo modo, o roteiro absurdo que conduz essa parte da história. No fim, volta-se o foco para a relação entre os personagens e o drama vivido por Marina, que se encontra à beira da morte.
De maneira geral, é uma história bem construída, coerente, apesar de achar a história da Vello Granel, Eva Irinova e Mijail Kolvenik  grotesca, o enredo é interessante ao ponto que o autor vai revelando aos poucos as histórias e versões dos personagens envolvidos. Não foi O livro, confesso que me decepcionou um pouco, pois pela repercussão dada ao autor e ao livro, esperava bem mais da história. No entanto, Marina entra para a galeria de mulheres notáveis da literatura, pelo menos na minha singela opinião. 


Resenha: A mesa Voadora

O tema do mês de Janeiro foi: Literatura gastronômica e ao checar a lista sugerida pelo http://desafioliterariobyrg.blogspot.com/ me identifiquei de cara com um livro de um dos meus escritores preferidos e que coincidentemente não tinha lido ainda:  A mesa voadora
Em uma coletânea deliciosa  de crônicas, o gênio Veríssimo mostra o quanto a comida pode revelar acerca das loucura da nossa sociedade. A cada página degustada era possível viajar junto com o autor para assistir a cada uma das situações descritas. A ironia e o sarcasmo foram o tempero perfeito para apimentar a leitura e provocar risos em uma pessoa que se imaginou fácil em pelo menos meia dúzia das histórias contadas. 
Como não amar um livro que ensina a como se comportar em um buffet dessa maneira:

"Geralmente, há um garçom servindo o prato quente. Provavelmente estrogonofe. É comum o garçom carregar no arroz para poupar o estrogonofe. Ao apresentar seu prato, encare-o e diga, com o olhar: "Eu conheço a sua laia, patife. Se me sonegar o estrogonofe, enfiarei a sua cabeça no molho vinagrete até que você morra!". [...] No caso de você e outro convidado espetarem o último pedaço de matambre ao mesmo tempo, sorria enquanto lhe aplica um pontapé. É incrível o que se consegue com um sorriso."                                                    Trecho de O buffet, página 14.

Sem falar do movimento de recusa à salsinha, que segundo o autor , é tudo aquilo que é inútil ao saborear um prato, como o cravo do beijinho de coco, do qual já sou adepta, e inúmeras outras críticas baseadas na nostalgia de um gourmet experiente... 
Enfim! A mesa voadora é um daqueles livros inesquecíveis que você tem que ler. Suas histórias são curtas, no máximo três páginas e a leitura é tão agradável que uma noite foi suficiente para devorar o livro todo! A leitura é altamente recomendada, no entanto, não aconselho ninguém a ler de barriga vazia, pois a vontade de comer pizza, ovo frito, pastel de estrada, galinha ao molho pardo, champignon  vai acabar com a sua dieta, só de ler acho que ganhei uns bons quilos...

Esse mês, devido à escrita do meu TCC e do projeto para a seleção do mestrado, só consegui ler um livro, mas vou até o fim!!

Tirando a teia de aranha...

Gente... depois de séculos sem postar nada resolvi que vou dar um up nesse cantinho, e para começar nada como um novo projeto que estou introduzindo na minha vida: O desafio literário 2012:
Sempre fui leitora assídua de todos os gêneros literários e lia muitos livros por ano, mas nesses dois últimos anos, devido à correria da faculdade deixei um pouco meus livros, e me dediquei ao trabalho, em 2010 e aos estudos em 2011... nesse meio tempo devorei séries como a da Becky Bloom e outros chick-lits, descobri a beleza da Jane Austen e me deliciei com Best Sellers como "A menina que roubava livros" e "O caçador de pipas", mas sentia falta do tempo em que podia me dar  o luxo de ler duas ou mais obras por semana em tardes dedicadas à leitura prazerosa...
Descobri o DL por acaso e me encantei com a proposta de ler pelo menos 12 livros por anos, levando em consideração diferentes temas, em cada mês uma agradável surpresa e por aqui estarei sempre postando as resenhas e impressões dos livros que estiver lendo, ou o que estiver passando pela minha cabeça !!!

Bjuss